Ela há tempos vagava solitária por entre corpos e copos. Tentava afogar a dor de sua eterna solidão em relacionamentos passageiros, que só a faziam se sentir mais deprimida ainda. Por vezes detinha-se em leituras ou filmes que falassem de amor. Sonhava com o dia em que aquelas histórias tão fantasiosas, pudessem ser vividas por ela também. Imaginava, sem muita convicção de que realmente fosse acontecer, como seria ter alguém que lhe dedicasse todo aquele amor. Daquele tipo de amor só encontrado nas histórias infantis. O tempo passava e suas desilusões tomavam proporções homéricas. No entanto, algo dentro daquela mulher, clamava pra que a esperança de ser feliz não morresse.
Por muitos anos, ela protagonizou cenas terríveis de falta de amor-próprio. Transformou suas paixões em bombas-relógio. Foram tantos erros, incontáveis decepções e separações inevitáveis. Havia se perdido em sua própria história, daquelas de terror, que ela insistia em continuar escrevendo e atuando. Seus atos impensados e inconsequentes a levaram à pior fase de sua vida. E em meio a um furacão, ela o conheceu.
Se olharam e se abraçaram como já se conhecessem a milênios. Em menos de 24 horas já planejavam envelhecer juntos. Ela então se deparou com o que imaginava ser impossível: não apenas estava amando, como também era amada. Um sentimento que ela jamais havia experimentado em toda sua vida. Se viu livre de toda escuridão e dor que a cercava, e vislumbrou um futuro de felicidade plena e eterna. Seus medos se dissiparam e renasceu dentro dela a vontade de sorrir.
Ela digita estas linhas e entre lágrimas de alegria, pensa em como pôde viver tanto tempo sem ele. Sorri, enxuga as lágrimas e segue digitando, apenas pra escrever: Eu te amo.



