14.5.12

Ela

Ela há tempos vagava solitária por entre corpos e copos. Tentava afogar a dor de sua eterna solidão em relacionamentos passageiros, que só a faziam se sentir mais deprimida ainda. Por vezes detinha-se em leituras ou filmes que falassem de amor. Sonhava com o dia em que aquelas histórias tão fantasiosas, pudessem ser vividas por ela também. Imaginava, sem muita convicção de que realmente fosse acontecer, como seria ter alguém que lhe dedicasse todo aquele amor. Daquele tipo de amor só encontrado nas histórias infantis. O tempo passava e suas desilusões tomavam proporções homéricas. No entanto, algo dentro daquela mulher, clamava pra que a esperança de ser feliz não morresse.

Por muitos anos, ela protagonizou cenas terríveis de falta de amor-próprio. Transformou suas paixões em bombas-relógio. Foram tantos erros, incontáveis decepções e separações inevitáveis. Havia se perdido em sua própria história, daquelas de terror, que ela insistia em continuar escrevendo e atuando. Seus atos impensados e inconsequentes a levaram à pior fase de sua vida. E em meio a um furacão, ela o conheceu.

Se olharam e se abraçaram como já se conhecessem a milênios. Em menos de 24 horas já planejavam envelhecer juntos. Ela então se deparou com o que imaginava ser impossível: não apenas estava amando, como também era amada. Um sentimento que ela jamais havia experimentado em toda sua vida. Se viu livre de toda escuridão e dor que a cercava, e vislumbrou um futuro de felicidade plena e eterna. Seus medos se dissiparam e renasceu dentro dela a vontade de sorrir.

Ela digita estas linhas e entre lágrimas de alegria, pensa em como pôde viver tanto tempo sem ele. Sorri, enxuga as lágrimas e segue digitando, apenas pra escrever: Eu te amo.

24.4.12

Let's stay together

Eis que agora me pego sorrindo à toa, dando longos suspiros, cantarolando músicas bobinhas... É. Fui atingida pela flecha certeira daquele moleque alcoviteiro, o cupido. Quando penso que me tornaria uma tia velha cercada por 35 gatos, acontece o que eu menos esperava, encontro meu príncipe enfim.

Estou oficialmente apaixonada. Loucamente apaixonada. Faço minhas as palavras de Al Green em "Let's stay together":




21.8.11

As flores que ganhei

Durante toda minha (desastrosa) vida amorosa, recebi algumas demonstrações de amor, de carinho e de afeto. Foram umas declarações em publico ou não, cenas de ciúme (na maioria das vezes em público mesmo), presentes, cartas, bilhetinhos desejando um simples bom dia já significava muito pra mim. Tudo de bom que já ouvi ou li, o que mais me marcou foi receber flores.

A primeira vez que recebi flores, rosas vermelhas, foi do meu primeiro namorado. Tinha quatorze anos e não lembro muito bem em que ocasião isso aconteceu. Acho que foi pelo aniversário de um ano de namoro ou o meu aniversário, o que lembro bem é da emoção que isso me causou. Foi lindo, romântico e inesquecível.

Na segunda vez minha mãe me presenteou nos meus quinze anos. Um ramalhete de rosas brancas. Ela disse que toda mulher recebe flores de presente. Lembro de ter me sentido como se estivesse fazendo trinta anos, mas foi a maneira dela me dizer que a menina em mim, estava ficando para trás.

As outras vezes foram diferentes. Em sua grande maioria eram pedidos de desculpas acompanhados de lindas flores. Meu primeiro "namorido", assim que fomos morar juntos, me trazia uma flor diferente a cada semana. Foram tantas que nem sei quantas foram. Isso foi muito especial, marcante.

Do meu último namorado, recebi várias vezes. Acredito que tenham sido mais de dez vezes. Ele leu meu blog. Todo o blog. E descobriu que tenho uma grande admiração por flores amarelas. Primeiro ele me deu um Cravo. Disse que essa era a única amarela à venda naquela noite. Achei fofo mesmo assim, ele quis me agradar com algo que eu realmente fosse gostar. A partir de então, ele me deu tulipas, gerberas, até girassol e umas silvestres lindas que não sei o nome. Todas amarelas. O auge dessa doce brincadeira aconteceu quando ele mandou buscar cem (100!) Magnólias amarelas fora do estado. Preciso dizer mais alguma coisa?

Meu inconsciente imaginário diz que ao receber flores, uma felicidade instantânea vem a galope. Aprendi a respeitar isso. Apenas sinto. Sinto com o máximo de paixão possível. O máximo que houver dentro de mim. Sentimentos puros ou suaves não condizem muito com meu jeito de viver, mas em meio à fúria de toda paixão que corre em minhas veias, as flores são o calmante da minha alma.

15.6.11

E não viveram felizes para sempre

Por um ano e meio vivi um conto de fadas. Com direito a príncipe encantado, bruxa malvada e até encarceramento na torre amaldiçoada. O príncipe não chegou a me salvar da torre. Ele bem que tentou e eu com medo de um final feliz, achei melhor vê-lo esporadicamente, só pra deixar de sofrer um pouco, com as maldades da bruxa má de vez em quando. Agora, o mocinho da história, cansado de tanto drama rumou para longe. Bem longe de mim e das minhas inseguranças.

As lembranças desse amor me consomem lentamente e eu, estupidamente, sigo fugindo em direção a abismos. Me torturo, sempre que me entrego a algum caminhante noturno, disposto a uma história de amor de apenas uma noite. Amores fulgazes... Preenchem esse vazio por alguns instantes. Não basta. Ninguém é bom o suficiente.

Por ele aprendi a domar meu ímpeto. Me livrei da inconstância e rabugice crônica. Entendi o que é ser amor e não paixão. Por quase dois anos vivi encenando uma personagem pra mim mesma e por esta razão, a história não passou de um conto de fadas.

Não ser eu mesma jamais fez parte dos meus planos (sórdidos) de vida. O sarcasmo e a impulsividade tornam meus dias mais reais, menos sofríveis. Tento aceitar que ser passional não é errado. É arriscado, mas não errado. É preciso ter coragem para assumir as consequências, geralmente desastrosas, de rompantes de insensatez.

Sigo bebendo vinho barato, fumando e escondendo as bitucas em frascos vazios de shampoo, pois, dignidade nunca foi meu forte. Auto-depreciação, aqui me tens de regresso. "Hung my Head" embala o tom destas linhas.

13.4.11

Hurt

O tempo escorre entre meus dedos, a vida segue me atropelando, as pessoas em minha vida apenas passam por ela e eu já não me desespero mais. A dor é sempre igual e aprendi a não mais senti-la. O coração teima em pulsar. Cash nos uniu e com ele me despeço de um pedaço da minha alma. O destino não foi justo com nós dois, apenas lamento. Derramo lágrimas sofridas e amargas. Despeço-me de tudo enfim.



23.1.11

Danny Boy

Dias incertos, cinzentos, chuvosos. Ligações na madrugada, convites inesperados para vagar pela cidade, suprem espaços vagos num coração em frangalhos. Não estou triste. Descobri que gosto de me sentir assim. Parece um elixir, me revigoro após uma queda, uma tormenta (um suicídio). Na verdade nem houve um ponto crítico, só decidi que assim não vai dar pra continuar. Sempre reclamei da vida, admito, mas agora realmente quero mudar.

Danny boy preenche meu imaginário romântico. Tudo é tão distante... Sou apegada de mais a realidade para aproveitar essas singelezas do amor. Tento ver, atrvés da armadura que eu vesti, o quanto ele me completa, mas o medo de viver entorpecida de felicidade me impede de prosseguir. O sarcasmo, a ironia e um mal humor herdado de terceiros, me resumem. Me sinto segura assim, longe de Deus e das pessoas. A dificuldade é que agora estou distante de mim mesma. Crise existencial nunca foi problema para mim, fiz uso de doses cavalares durante toda minha adolescência e início da vida adulta.

Tenho que aprender a ser mais acessível. É difícil, quando já se sofreu além da conta por desamores. A mão áspera e calejada do meu vaqueiro vagueia pela minha perna enquanto digito estas linhas. Está sonolento, deitado, ainda com o chapéu na cabeça e me fala balbuciando: minha princesa. Como não resistir? Como conseguir manter a guarda diante do homem mais perfeito que apareceu na minha vida? Eu o escondo da minha família e amigos, tento preservar esse paraíso apenas para deleite particular. E ainda assim fujo desse relacionamento desesperadamente.

Com a viola velha, gasta, ele canta, sempre canta pra mim. É o roqueiro mais matuto que conheço, meu pião rockstar! Ouço Johnny Cash, Kenny Rogers, Willie Nelson, Terri Clark... Sem ele, eu não saberia amar sem a fúria da paixão. Teria vivido toda uma vida achando que apenas na loucura intensa, seria capaz de sobreviver as paixões.

Ele segue comigo rumo ao abismo que é minha mente e minha alma. Vivo como se estivesse em queda livre o tempo todo e mesmo assim, ele me aceita como sou. Intensa. Passional. Não quero perder esse cantinho de shangrilá que se econtra no meu caminho. O preservarei longe de tudo que parecer real na minha vida. E assim será.

17.1.11

Can't Stand Me Now

A última carta foi entregue e assim me despeço de tudo, como num ritual, que me prendia ao passado com o Sr. G. Durante dois anos da minha vida escrevi cartas que jamais entregaria a ele. Apenas escrevia com o propósito de desabafar mágoas passadas. Não surtia efeito, continuava, amargurada e infeliz, pois não sabia lidar com aqueles sentimentos. Resolvi entregar parte dos manuscritos a ele. Foram três cartas no total. E na segunda, percebi que o peso das culpas e frustrações diminuíram, eu estava dividindo essa carga com ele. Foi melhor assim. É, foi sim. E relembrando tudo de bom que vivi na era de ouro da paixão mais avassaladora que passou pela minha vida, The Libertines.


6.12.10

Resolvi falar de você só por amor

Ela é a luz do sol, é o pé descalço, e cachos ao vento.
É a vida em movimento, a alma inquieta.
É o suor que escorre sobre a pele morena.

Ela é a mão que te acha no meio da multidão.
É a alegria estampada na cara.
É o sorriso que invade a mente.

Ela é a canção mais cantada.
É o sonho mais colorido.
É a paixão intensa.

Ela é o verde dos olhos.
É a magia acontecendo.
É a chuva que refresca e renova.

Ela é o seu próprio universo.
É a mulher menina moleca.
Ela é a luz da lua, o pé descalço e cachos ao vento.

12.7.10

Uno

Vamos ao que interessa, ele me disse, na varanda da sede da fazenda. Se ajoelhou diante de mim e eu já sabia que aquele momento seria inesqueível para todos naquela festa. Tirou uma caixinha de dentro do bolso da blusa xadrez e quando a abriu eu sabia que aquilo seria nosso fim. E quando ouvi a proposta mais irrecusável da minha vida, disse não.
Saí correndo pelo jardim, atravessei o pasto e cheguei a casa modesta do zelador da fazenda, meu quase futuro sogro, que se encontrava sentado na sua cadeira de embalo na sala. Com o rosto banhado em lágrimas disse que sentia muito e que nunca quis desrespeitar sua casa. Com a sabedoria que só os mais velhos têm, me disse com sua voz rouca e cansada, que nós jovens queremos tudo pra ontem e isso nos faz sempre refém do tempo. Na hora não sabia muito bem o que aquele homem tranquilo quis me dizer, mas depois, percebi que o certo eu já havia feito.
Fui direto ao banheiro, lavei o rosto e tentei me acalmar pra conversar com meu cowboy. Ele, me esperava pacientemente no seu quarto decorado com posteres de bandas de rock. Entro e digo que agora não era a hora. Que talvez nunca houvesse a hora certa para nós. Somos de mundos diferentes e ambos não se adaptariam ao mundo um do outro. Era uma triste realidade que eu já havia percebido mas deixado pra lá por ser cruel demais para admitir.
Ele, do alto dos seus 20 anos, já trabalha pesado desde seus 14 anos, o irmão mais novo entre 12(!) irmãos, já tem patrimônios em seu nome e responsabilidades de um senhor. E só o que ele queria era uma mulher que vivesse aquela vida pacata do campo com ele. Infelizmente, não nasci para essa vida, não quero mais filhos e de algum modo a cidade grande exerce um magnetismo sobre mim inexplicável.
Tento fazê-lo entender meus motivos, dissuadi-lo de tal decisão, mas tudo foi em vão. Volto a Mangópolis com um anel de noivado na mão direta e algumas promessas de amor eterno na bagagem. Como uma madrasta malvada deixo-o acreditar no final feliz idealizado, para depois, acerta-lo com um golpe certeiro de um adeus derradeiro.
Jurei nunca mais sofrer por alguem, e por mais uma vez, torno minha vida amorosa complicada demais para ser vivida. Deveria ter nascido em uma novela mexicana e ao som de boleros declamar minhas falas prontas para o mesmo final dramático.
"Uno va arrastrandose entre espinas
Y en su afan de dar su amor
Sufre y se destroza hasta entender
Que uno se ha quedado sin corazón..."
Luis Miguelito

13.6.10

Foi milagre de Santo Antônio

Foi quando a banda tocava Weezer e eu pulando e gritando com todo fôlego que meu (frágil) pulmão permitia, ele apareceu. Sorri com o canto da boca (ele sabe que não resisto a esse charminho). Pega na minha mão e sem dizer uma só palavra, me acompanha no pula-pula coletivo. Transbordo de felicidade. Meu cowboy estava ao meu lado, como nos velhos tempos. O melhor partner que este surrado coração poderia desejar. Quando de repente, ele tira uma rosa amerela do bolso da blusa xadrez e a coloca no meu cabelo molhado de suor. Me abraça com força e diz que me procurou por toda a cidade. Faço uma cara de quem ganhou na loteria e o beijo, como jamais beijei alguém. Nos olhamos e sabemos o que fazer. Corremos em direção ao carro e vamos ao nosso lugar favorito. Lá, as estrelas são mais brilhantes e a lua parece nos entender tão bem... Aquele céu sempre foi o melhor espetáculo ao qual já assistimos. Me deito em seus braços sobre o capô e bebemos algo com gosto de limão que compramos pelo caminho. Ao som de Cash, comtemplamos mais um nascer do dia. A brisa leve bate em meu rosto e sinto que a tempestade finalmente se dissipou. Acendo o último Camel do box e seguimos viagem.
If we're have parted
I will keep the tie that binds us
And I´ll never let it break
'cause I love you.
Jonnhy Cash

22.5.10

Seen The Light

Sentimentos enterrados a força, sobem a tona e me desnorteiam por alguns segundos. Por frações de segundos. O coração ainda bate, a respiração ainda é ofegante e o desejo... Bem, o desejo sempre esteve onde deveria estar.

O beijo não foi roubado, o abraço não foi dado, mas a canção vai ser tocada. Por todo tempo em que acreditávamos em nós mesmos, fui feliz e só por isso já valeu o preço do ingresso. É baby, o show tem que continuar.

Supergrass me lembra as melhores tardes ensolaradas que vivi.


28.1.10

Praticamente Inofensiva

Os dias cinzentos de Mangópolis trazem uma nostalgia carregada de melancolia a este coração já cansado de tanto amar. Letras de boleros a parte, estou passando por um revival forçado. Arrumando meu quarto neste início de ano, encontrei uma caixa repleta de recordações de amores do passado. São cartões, cartas, bilhetinhos, embalagens de presente com dedicatória, pétalas de flores murchas, ameaças de morte, enfim, entulho (mofado) amoroso que não consigo me desfazer. Vez por outra limpo tudo, troco de caixa e deixo essas lembranças remotas em stand by pra meu conforto sentimental.

Me deparei com uma carta escrita em 2009 que despertou o momento minha-vida-passou-diante-dos-meus-olhos. O cara que a escreveu nunca havia feito isto antes, e talvez tenha sido a única e última vez. Eu também nunca lhe enderecei nenhum manuscrito, mas no fim, acabo redigindo coisas sem sentido, saídas de uma mente atormentada por um amor falido.

Fui casada com ele por quase três anos da minha vida. Tivemos um filho lindo. Uma história conturbada repleta de altos e baixos. Meu temperamento instável e o mal humor crônico dele nos transformaram numa bomba que explodia a cada demonstração de poder do território. "Dois espécimes Alfa se encontraram e mal sabiam que o amor entre eles seria impossível", já dizia um sábio porto-riquenho. Nós só não contávamos com o inexplicável: uma atração, inicialmente sexual, muito forte. Com o tempo fui percebendo que a volúpia já não era mais tão importante na decisão de continuar com aquele martírio. Era por causa do filho, argumentava comigo mesma. Não... Era algo entre ele e eu que estava longe de ser explicado ou até mesmo entendido.

Passado quase um ano desde a derradeira separação, olho pra trás e vejo o quanto foi imatura nossa relação. Apesar de ser meu segundo casamento, essa foi a primeira vez que eu amei de verdade, que eu passei pela experiência da maternidade e onde as lembranças que eu tenho não estão na caixa do entulho amoroso, e sim, incrustadas na minha alma. Não tenho mais apenas meu companheiro de noites em claro, de lanches na praça, de rodada de filmes no final de semana, de pizza com cerveja ou de conversas pop casuais. Descobri que aquela atração, aquela insistente e pungente atração, nada mais era do que o medo de perder o único e melhor amigo que eu tive.

Sinto falta da sinceridade com a qual ele me dizia as verdades da vida que nenhum amigo me ousou falar. Ele era meu termômetro, minha bússola, meu porto-seguro... Aprendi nesse curto período a ligar o foda-se ao invés de saber o que o Cabelinho pensa a respeito. No final das contas não passo de uma garota assustada aprendendo a ser mulher, nesse mundão de mel dels. Nunca esquecendo que apesar das sandices, sou praticamente inofensiva. Sigo balbuciando cancionetas alegres pra disfarçar o semblente de apatia crônico. Qual a resposta pra tudo? 42 baby, 42.

26.12.09

Mais uma vez, adeus!

Beijos entre lágrimas, despedida sofrida. Andar solitário no ar sereno da noite. A lua me acompanha no trajeto. Cidade pacata, poucas pessoas nas ruas. Respiro fundo e sigo adiante. Atravesso uma praça. Me detenho por um instante sobre a ponte de madeira, observando as garças no lago. Meu pensamento alça vôo. Trechos de músics pairam na minha mente. As mais piegas possíveis. Começou a fase de autopiedade, penso. Recobro a consciência e volto a minha peregrinação ao encontro de uma razão convincente para respirar. Andar sem rumo sempre me ajudou a esquecer um pouco as mazelas da vida.

Observo os rostos pelo caminho. São semblantes diferentes aparentemente, mas os olhos... Todos os olhos me parecem perdidos. Sempre buscando algo. Talvez todos estejamos juntos na mesma busca desenfreada por nós mesmos.

Após uma hora de andança, as imagens do ocorrido não param de reprisar na minha memória. Memória. A minha é péssima e costumo gostar disso. As lembranças desagradáveis de hoje provavelmente irão desaparecer antes da próxima besteira acontecer.

A vida, na verdade, não passa de uma longa e dolorosa caminhada rumo ao desconhecido. Na minha busca, idealizo paz interior e a companhia de um gentil cavalheiro que me dirá: "Venha comigo se quiser viver." Quando esse dia chegar, minha jornada terá mais sentido.

Uma chuva fina cai e apresso o passo. Aceno para um táxi. Ao entrar, contemplo as gotas escorrendo no vidro do carro e "Have you ever seen the rain" começa a tocar no rádio. Será um sinal? Ligo para o cara que surge na minha mente quando ouço essa música. Não atende. Já passa da meia noite, talvez estivesse dormindo. Acho que o sinal estava fraco, penso. Sorrio. Que tonta eu sou! Com um sorriso bobo na cara sigo viagem cantarolando: "I want to know, have you ever seen the rain? Comin' down a glorious day."

5.12.09

A Little Girl

Ultimamente ando um pouco melancólica. Amores fulgazes deixaram a garotinha que habita meu inconsciente chorando a cada despedida. Talvez eu precise acreditar novamente nas cantigas de roda, na chuva ao entardecer, no passeio de mãos dadas, no beijo na testa, na despedida adiada, no telefonema na madrugada, na música assoviada, na promessa cumprida.

Norah Jones canta "Seven Years" e de repente tudo parece se encaixar.

I'm just a little girl with nothing wrong
and she's all alone...


29.11.09

O Homem-cilada

Durante um surto psicótico em meio a uma TPM épica, me inscrevi em alguns sites de relacionamentos e redes sociais. Sem saber o que esperar desse rompante desenfreado de carência afetiva, me deparo com o primeiro pretendente. Após algumas horas de conversa no chat, marcamos um encontro em menos de 24 horas. A ingestão excessiva de chocolate me deixou perigosamente ansiosa. Nem preciso dizer que foi um fiasco. Ele não era nada daquilo que dizia ser no seu perfil, inclusive a foto. Depois dele foram mais dois, sendo que o último era perfeito demais, ou seja, deve haver algo de errado com o rapaz.

Lembrando das matérias de revistas femininas que li e tirei algum proveito (ou não), tem essa da revista CLAUDIA de novembro de 2007, de onde tirei o título da postagem. Constatei o que já sabia: os homens não passam de uns calhordas bebês chorões. O texto ficou marcado em minha memória por ser assustadoramente realista.

A seguir alguns trechos da matéria da jornalista Cláudia Ramos com ilustrações de Caco Galhardo. A íntegra você encontra aqui, com alguns depoimentos e comentários de especialistas.


***

Em tempos de relacionamentos complicados, parece um sonho deparar com um homem que faz de tudo para conquistar você e demonstra conhecer a alma feminina como poucos. Se estiver fragilizada, então, melhor (para ele): é a presa perfeita. Mas esse conto de fadas não costuma ter um final feliz.

O Homem Ternura
Ele é "fofo", aparentemente carente, precisando de colo. Vem com aquela conversa de namoros sofridos ou ex-mulheres vingativas. Se diz um romântico à procura de um grande amor, que não teve sorte nos relacionamentos anteriores. Apresenta a nova "vítima" à família e aos amigos, fazendo-a sentir-se acolhida e segura.


O Homem Perfeito
É um sujeito que, de cara, demonstra ter todas as qualidades valorizadas pelas mulheres. É gentil, elegante, dá presentes. Geralmente, ele se declara logo na primeira semana, se expressa com facilidade, olha nos seus olhos e faz comentários que toda mulher gosta de ouvir, como elogiar o novo corte de cabelo. Eles têm sempre na ponta da língua frases do tipo: 'Você é a mulher da minha vida'." Parecem ter a ideia fixa da conquista, mas quando ela acontece... se mandam.

O Homem Sincero
Esse faz o gênero franco. Deixa claro que não quer nada sério, mas garante que tamanha sinceridade é em respeito aos sentimentos da mulher. Ele é direto: não faz declarações nem perde tempo com presentinhos e bilhetes românticos. Vai logo ao ponto: quer levá-la para a cama. Obviamente, não diz isso com palavras, mas deixa claro por sua maneira de agir. Tudo é muito rápido: ele arma o cenário de sedução e dá o bote, porque quer estar livre e pronto para outra.

O Homem Vampiro
O homem-vampiro suga a mulher. Muitos são possessivos e ciumentos. É do tipo nervoso, agitado, inseguro, sempre com medo de ser traído. Gosta de vigiar todos os passos da pessoa com quem está saindo e tenta isolá-la do contato com os amigos e a família. Vive reclamando da vida. Quase nunca tem dinheiro, mas não faltam boas desculpas para pedir para você pagar a conta.